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riscos_e_rabiscos

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Subi de Posto!

                     

Toca o despertador. Meia endorminhada e com pouca vontade de sair do quentinho dos lençóis, abro um olho, depois o outro e mentalizo-me que tenho de enfrentar o mundo lá fora.

 

Depois de me artilhar contra as agruras do mundo, finalmente saio de casa. Não atrasada mas com pouco tempo para distracções, pelo que não compareci ao encontro marcado com o meu descafeinado. E que falta me fez!

 

Faço rally rua abaixo, mostrando a minha perícia em contornar obstáculos, evitar quedas e desmoronamentos e saltar objectos imprevistos. Estou cada vez mais habilidosa.

 

Consigo atingir o objectivo a que me propus nessa altura: apanhar a camioneta para me levar ao colégio a horas. Aproveitei para verificar os meus registos de avaliação. Eu não seria eu, se não tivesse um engate qualquer na minha papelada. Faltavam-me três registos de avaliação! Raios e coriscos! Mas como sou uma mulher prevenida, tinha uns extras dentro da mala e lá resolvi o assunto.

 

A meio do percurso e após ter apanhado um susto de morte com uma abécula que ultrapassa a minha camioneta e quase tem um choque frontal com a que estava estacionada do outro lado, toca o meu telemóvel. Humm… deve ser a minha mãe, pensei eu. Atendi. Afinal era a S. do colégio. “Professora Pessoinha?” “Sim, estou a caminho S. …” “Então já falamos! Até já!”

 

Eu com o meu pessimismo todo pensei: o que será que eu fiz?! Mas não sou eu que me porto mal mas sim os miúdos… alguns!

Finalmente chego ao colégio. Entrego os registos de avaliação e sou “informada” que tenho de comparecer à reunião de professores.

 

Como no outro período fui a única a não estar presente (é normal em todo o lado os AECs serem tratados como se não existissem, eu até tenho o pseudónimo de invisible woman), fiquei realmente espantada!

Vamos lá ver se não fui convocada porque ninguém queria fazer a acta… Eu e as actas temos uma longa história… argh! Cheira-me a esturro. Mas mesmo assim... subi de posto!

(Ir)Responsabilidade

 

 

Dou aulas desde o século passado mas nunca me aconteceu uma situação destas. Talvez sejam inovações da Nova Era. Ou alguma mutação genética. Ou até mesmo seres geneticamente modificados… Quem sabe!

 

A semana antes das férias do Carnaval é aquela em que se costumam realizar testes de avaliação. Não é por nada mas as avaliações têm de ser feitas e corrigidas e, para não andar a correr para trás e para a frente a dar aulas e a corrigir testes, resolvi fazê-lo mais calmamente nas ferias. Até porque eu só voltaria a dar aulas no colégio na sexta-feira porque não tenho aulas à quinta.

 

No dia dos testes, houve um mini-marmanjo que me faltou ao teste. Nem água vai, nem água vem. Faltou e pronto. Qual justificação, qual quê! Recados escritos?! Qué isso?!

O mais engraçado é que a mãe é minha colega, portanto, professora de Inglês também. Mas em clara vantagem profissional, diga-se!

Pensei para com os meus botões: hummm… gostava de saber o que ela faz aos alunos dela que lhe fazem isto! No mínimo, não os deve deixar a fazer teste…

 

Instalei-me confortavelmente na minha cama – de solteira que tem umas almofadas excelentes! – e preparei os testes para começar a rabiscar (percebem agora o nome do blog? Riscos e rabiscos… Sim?).

Grelha de correcção a jeito, caneta na mão – desta vez corrigi a cor de rosa* - testes no colo… Três, dois, um… rabiscar! Quer dizer, corrigir!

 

Depois de ver a minha turma do 3º ano, constato que me falta o teste de um aluno. Revoltei a minha mala, os testes todos, as papeladas, os livros e… nada! Pensei que a única alternativa era o miúdo fazer de novo o teste. Não queria prejudicá-lo com a falta da avaliação escrita. E meti um teste na mala.

 

Primeiro dia de aulas: entrega e correcção dos testes. Devo dizer que tive prai 15 cem por centos. Os do 4º ano não comento, embora não tenha havido uma única negativa. Revolta-me miúdos inteligentes não aproveitarem as suas capacidades.

Assim que cheguei ao colégio, fui à sala do 3º ano à procura do aluno cujo teste eu não tinha. Perguntei:

- V. entregaste o teu teste? É que revoltei a minha casa toda e não o encontrei…

- Não, teacher… - coloca a mão debaixo da mesa e puxa umas folhas – está aqui!

- Então tu não entregaste o teste?! Ai que cabeça!

O meu aluno “faltista” ao teste, foi catrapiscado no meio do corredor e arrastado para a minha sala para fazer o teste.

 

É só distracções e complicações, dores de cabeça e nervos à mistura. No entanto, resisto.